O que significa ser um Homem Forte hoje
Por Dr Alexandre Fonseca Santos, médico, CRM 14760 DF
Vivemos em uma época de grandes contradições para os homens. Nunca tivemos tanto acesso a informação, tecnologia e oportunidades. Ao mesmo tempo, muitos se sentem perdidos, exaustos, irritados ou simplesmente “sem gás” — mesmo quando, aos olhos dos outros, “está tudo bem”.
Ser um Homem Forte no século XXI não é mais apenas sobre força física, capacidade de prover ou resistência ao sofrimento em silêncio. É sobre ter coragem de cuidar de si mesmo, assumir responsabilidade pela própria saúde e viver com propósito e integridade.
A Realidade que Poucos Falam
Os números não mentem. Em 2024, a expectativa de vida ao nascer no Brasil chegou a 76,6 anos. Para os homens, esse valor foi de 73,3 anos, enquanto as mulheres viveram, em média, 79,9 anos — uma diferença de 6,6 anos (IBGE, 2025).
Essa disparidade não é puramente biológica. Grande parte dela resulta de comportamentos influenciados por modelos tradicionais de masculinidade, maior exposição a riscos (acidentes, violência, consumo de álcool), menor procura por serviços de saúde e investimentos governamentais historicamente escassos em políticas específicas para a saúde do homem.
Além disso, o acesso aos serviços de saúde ainda não é facilitado para os homens. Horários de atendimento incompatíveis com a jornada de trabalho, falta de ações direcionadas, acolhimento inadequado e uma cultura que associa a busca por cuidado à fraqueza contribuem para que muitos só procurem ajuda em estágios avançados de doenças (Oliveira, 2025; Brandão et al., 2025).
O suicídio é outro marcador doloroso. Homens apresentam risco significativamente maior de morte por suicídio do que mulheres no Brasil. Estudos indicam que, historicamente, os homens respondem por cerca de 75–80% dos óbitos por suicídio no país, com taxas que chegam a ser 3,8 vezes maiores que as das mulheres (Ministério da Saúde, 2021).
Burnout, depressão mascarada como “estresse normal”, isolamento emocional e dificuldade de pedir ajuda são cada vez mais comuns entre homens de 30 a 55 anos — especialmente entre executivos, expats, profissionais autônomos e aqueles em posições de alta responsabilidade.
O que é Masculinidade Saudável?
Masculinidade saudável não significa rejeitar características tradicionais como coragem, resiliência, proteção e determinação. Significa integrá-las de forma inteligente e equilibrada.
É o homem que:
• Tem disciplina para cuidar da saúde, mas não se pune por imperfeições.
• Sabe expressar emoções sem perder autoridade.
• Protege sua família, mas também pede ajuda quando precisa.
• Busca excelência no trabalho, mas não sacrifica a saúde física e mental.
• Valoriza ser homem sem precisar diminuir o outro.
A Abordagem da CSMEN
Na CSMEN, acreditamos que a saúde masculina não deve ser tratada com simplificações ou julgamentos. Nosso trabalho é integrativo: investigamos as causas reais — sono, estresse crônico, hábitos, relacionamentos e contexto de vida — e ajudamos o homem a recuperar energia, clareza mental e propósito.
Nosso trabalho é voltado a quem:
• Sente que “poderia render mais”;
• Quer envelhecer com qualidade e dignidade;
• Deseja ser um exemplo melhor para filhos, família e comunidade;
• Está cansado de soluções superficiais e quer abordagens reais.
Não prometemos transformação da noite para o dia. Prometemos um caminho honesto, prático e respeitoso com a realidade masculina.
Ser forte hoje é ter a humildade de reconhecer quando algo não está bem e a determinação de agir. Cuidar de si mesmo não é fraqueza — é liderança.
Bem-vindo ao começo dessa jornada.
Deixe o seu comentário, fale conosco o que você acha que significa masculinidade para você
Referências
Brandão, C. C., Albuquerque, F. P., Takarabe, J. M., Soares, I. M. S. C., Salerno, A. A. P., Celio, C. P., et al. (2025). Desafios na implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, 29(Suppl. 1), e250258. https://doi.org/10.1590/interface.250258
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2025). Tábuas de mortalidade 2024. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45275-expectativa-de-vida-chega-a-76-6-anos-em-2024
Ministério da Saúde. (2021). Boletim epidemiológico: Mortalidade por suicídio e notificações de lesões autoprovocadas no Brasil. Secretaria de Vigilância em Saúde. https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2021/boletim_epidemiologico_svs_33_final.pdf
Oliveira, L. C. F. de. (2025). Acesso dos homens aos serviços de saúde da atenção primária: Utopia ou realidade? Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/4260